A balança responde uma pergunta só: quanto você pesa. Ela não sabe se aquilo é músculo, gordura ou água retida, e não sabe onde a gordura está — que é justamente o que decide o risco.
O IMC serve, mas até certo ponto
O índice de massa corporal (peso dividido pela altura ao quadrado) é útil para comparar populações e para uma primeira triagem. Como retrato individual, ele falha em dois sentidos opostos: classifica como “sobrepeso” um atleta com muita massa magra, e classifica como “normal” alguém com pouca musculatura e muita gordura visceral — situação que carrega risco cardiovascular real apesar do número tranquilizador.
As três medidas que eu peço
1. Circunferência abdominal
Uma fita métrica, na altura do umbigo, em pé, ao fim de uma expiração normal, sem apertar. Ela estima a gordura visceral — a que fica em volta dos órgãos, metabolicamente ativa, ligada a resistência à insulina, inflamação e doença cardiovascular. Os pontos de alerta usados no Brasil ficam em torno de 80 cm para mulheres e 94 cm para homens.
2. Relação cintura-altura
Divida a circunferência abdominal pela sua altura, na mesma unidade. A referência é fácil de lembrar: manter abaixo de 0,5 — cintura menor que metade da altura. Em vários estudos essa relação prevê risco cardiometabólico melhor que o IMC, e não exige equipamento nenhum.
3. Composição corporal
Quanto do seu peso é massa magra e quanto é gordura. É o que permite ver se uma perda de peso está indo pelo caminho certo. Emagrecer perdendo músculo é uma vitória na balança e uma derrota no metabolismo.
E os exames
Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, perfil lipídico, enzimas hepáticas (a esteatose hepática é frequente e silenciosa), TSH e pressão arterial. É esse conjunto — não o número da balança — que diz se existe risco e qual é.
Quando procurar avaliação
- Circunferência abdominal acima dos valores citados, mesmo com IMC normal.
- Ganho de mais de 5 kg em um ano sem mudança evidente de rotina.
- Histórico familiar de diabetes tipo 2, infarto precoce ou AVC.
- Manchas escuras e aveludadas no pescoço ou nas axilas.
- Ronco alto com pausas na respiração, ou cansaço ao acordar.
Nenhum desses itens é diagnóstico sozinho. Todos são motivo para investigar.
Este texto é informativo e não substitui uma consulta. Cada pessoa tem uma história clínica, exames e um contexto de vida próprios — é isso que define a conduta certa para ela.
Dra. Mariana Suzuki
Médica endocrinologista — CRM MT 7935

